Combustível começa a faltar no Sul, produtores enfrentam atrasos e plantio da safra fica ameaçado

Produtores do Sul já relatam atrasos na entrega de combustível enquanto começa o plantio da safra de verão. Entenda o que está por trás do problema.

Os primeiros sinais de falta de combustível começaram a aparecer no Sul do Brasil justamente no início do plantio da safra de verão. No Rio Grande do Sul, produtores rurais já relatam restrições e atrasos na entrega de diesel, usado para abastecer máquinas agrícolas.

A situação levou a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) a cobrar informações sobre os estoques e os volumes disponíveis. Segundo a entidade, dezenas de reclamações de produtores chegaram nos últimos dias.

LEIA TAMBÉM:

O problema acontece em um momento considerado crítico para o agronegócio, já que atrasos no abastecimento podem dificultar o trabalho das máquinas e comprometer a janela de plantio.

Por que o combustível está começando a faltar?

Parte da pressão sobre o abastecimento está relacionada à diferença entre o preço praticado pela Petrobras e o custo de trazer diesel do exterior.

Durante agosto, segundo dados citados pela Farsul a partir da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, o diesel vendido no Brasil permaneceu abaixo da chamada paridade de importação.

A diferença chegou a R$ 2,56 por litro e teria ultrapassado R$ 3 em setembro com a nova alta do petróleo.

Na prática, quanto maior essa diferença, menor é o incentivo para que importadores independentes tragam combustível de outros países.

Brasil depende do diesel importado

O Brasil não produz sozinho todo o diesel necessário para atender ao consumo nacional.

Mais de um quarto do combustível consumido no país depende de importações. Quando o produto nacional fica significativamente mais barato que o importado, distribuidoras tendem a concentrar as compras na Petrobras.

O problema é que a estatal não consegue atender sozinha toda a demanda brasileira.

Com menos incentivo para os importadores trazerem novos carregamentos, o mercado pode ficar mais apertado.

Importação de diesel caiu em agosto

Os números recentes já mostram uma redução na entrada do combustível no país.

As importações brasileiras de diesel caíram cerca de 18% em agosto, na comparação com julho, chegando a aproximadamente 1,2 milhão de metros cúbicos.

Foi o menor volume registrado para um mês de agosto desde 2020.

Para setembro, agentes do mercado já esperavam uma entrada ainda menor de diesel no país.

Produtores já enfrentam atrasos no Rio Grande do Sul

A pressão chega ao campo justamente quando as máquinas começam a ser utilizadas com maior intensidade no plantio da safra de verão.

No Rio Grande do Sul, produtores já relatam dificuldades para receber o combustível necessário para colocar tratores e outras máquinas em operação.

O presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, alertou que atrasos no abastecimento podem comprometer a janela de plantio.

O impacto pode aparecer tanto na área efetivamente semeada quanto na produtividade das lavouras.

Sul enfrenta outros obstáculos para receber combustível

Além da diferença de preços, o mercado do Sul enfrenta dificuldades logísticas e uma oferta internacional mais apertada.

Esses fatores aumentam a pressão sobre o abastecimento justamente em um período de maior demanda.

Com as máquinas agrícolas voltando ao campo, qualquer atraso na chegada do diesel pode representar um problema para produtores que precisam aproveitar períodos específicos para realizar o plantio.

Governo anunciou medida para evitar falta de diesel

Diante do risco, o governo anunciou uma nova subvenção ao diesel para produtores e importadores.

A medida busca reduzir a diferença entre o custo do combustível trazido do exterior e o preço praticado no mercado brasileiro.

A intenção é preservar o incentivo à importação e evitar que a oferta fique ainda mais apertada.

A iniciativa ganhou urgência porque o problema deixou de ser apenas uma questão de diferença de preços.

Agora, os primeiros efeitos começam a aparecer diretamente no campo.

No Sul, produtores já relatam que estão esperando pelo combustível necessário para colocar a próxima safra no chão.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
MATÉRIAS RELACIONADAS

MAIS LIDAS