Lula admite que sua campanha foi a menos organizada desde 1989 e agora tenta reverter cenário no 2º turno

Lula admite que campanha de 2026 foi a menos organizada desde 1989. Agora, petista tenta reduzir abstenção e reverter vantagem de Flávio Bolsonaro.

Depois de terminar o primeiro turno das eleições de 2026 atrás de Flávio Bolsonaro (PL), Lula fez uma avaliação pouco comum sobre a própria campanha. Em encontro com parlamentares nesta quarta-feira, 7, o presidente afirmou que a disputa deste ano foi a “campanha menos organizada” de sua trajetória desde 1989.

A declaração veio justamente no momento em que o petista precisa reorganizar a estratégia para o segundo turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa à frente, e a campanha de Lula agora busca maneiras de recuperar votos e reduzir a distância até a votação de 25 de outubro. O TSE confirma a data para o segundo turno das eleições presidenciais.

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Lula reconhece que campanha poderia ter sido melhor

Durante o encontro com parlamentares, Lula afirmou que sua campanha ficou abaixo do que poderia ter apresentado e disse ter feito essa avaliação diretamente ao presidente do PT, Edinho Silva.

“Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Eu acho que nós poderíamos ter feito mais.”

Na sequência, o presidente foi ainda mais direto ao avaliar a organização da disputa:

“Eu falei para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada desde 1989.”

Lula também resumiu o resultado com uma frase que ganhou peso diante da derrota no primeiro turno:

“Normalmente a gente colhe o que a gente planta.”

A fala ocorre depois de o presidente terminar a primeira etapa da eleição atrás de Flávio Bolsonaro. Segundo levantamentos publicados nesta quarta-feira, Lula reconheceu ainda ter se surpreendido com o resultado, considerando as ações que atribui ao seu governo.

Abstenção vira uma das apostas para o segundo turno

Com o segundo turno pela frente, o PT passou a trabalhar também para diminuir a quantidade de eleitores que não compareceram às urnas.

A estratégia inclui uma mobilização da militância para conversar diretamente com eleitores e tentar convencê-los a votar no dia 25.

No primeiro turno, porém, a abstenção ficou próxima de 21%. O dado ajuda a dimensionar o tamanho do eleitorado que não participou da disputa presidencial, mas existe uma questão importante: trazer essas pessoas de volta às urnas não significa necessariamente transformar esses votos em apoio a Lula.

O próprio cenário regional mostra por que essa estratégia pode ser mais complicada.

Voltar às urnas não significa necessariamente votar em Lula

Segundo a análise citada pelo Antagonista, a abstenção foi maior em São Paulo do que em estados do Nordeste.

São Paulo registrou 22% de abstenção, enquanto estados como o Ceará ficaram em 17%, de acordo com o cientista político Bruno Soller, da Realtime Big Data.

A avaliação apresentada é que parte dos eleitores paulistas que não votaram no primeiro turno tinha preferência por nomes que ficaram pelo caminho na disputa, como Romeu Zema, Augusto Cury, Renan Santos ou Ronaldo Caiado.

Nesse cenário, simplesmente convencer essas pessoas a comparecerem novamente às urnas não garante que elas escolherão Lula.

A tendência apontada por Soller é de que esses eleitores se dividam entre os dois candidatos que chegaram ao segundo turno e também entre aqueles que eventualmente optarem pelo voto nulo ou de protesto.

Segundo turno coloca Lula diante de outro desafio

O problema para a campanha petista é que o segundo turno muda completamente a dinâmica da eleição.

No primeiro turno, o eleitor podia escolher entre diversos candidatos. Agora, a disputa presidencial está concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Por isso, uma parcela dos eleitores que deixou de votar porque não se identificava com nenhum dos nomes disponíveis precisará decidir se irá às urnas e, caso vá, qual dos dois candidatos apoiará.

A Justiça Eleitoral esclarece que quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular. Os dois turnos são considerados eleições independentes.

Lula tenta reorganizar a campanha antes da votação

A admissão de Lula sobre a organização da campanha acontece justamente quando o PT precisa reorganizar sua atuação para a reta final.

Além da mobilização de eleitores que não compareceram ao primeiro turno, a estratégia envolve mudanças na comunicação e uma tentativa de ampliar a presença do candidato nas redes sociais.

Lula inclusive passou a apostar mais em vídeos gravados diretamente pelo celular. A movimentação faz parte de uma tentativa de aproximar o candidato de públicos que, segundo aliados, não foram alcançados da maneira esperada durante o primeiro turno.

O calendário, agora, é curto: o primeiro turno terminou em 4 de outubro e o segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Até lá, a campanha terá de transformar a crítica feita pelo próprio Lula em mudança prática e descobrir se a reorganização será suficiente para alterar o resultado da primeira etapa.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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