Clientes do Santander tiveram cerca de R$ 2,1 milhões retirados de suas contas bancárias em operações suspeitas investigadas pela Polícia Civil de São Paulo. O caso envolve transferências, saques e empréstimos que os correntistas afirmam não ter autorizado. Entre as possíveis vítimas estão principalmente pessoas idosas, que descobriram movimentações desconhecidas ao consultar seus extratos ou procurar atendimento bancário.
A investigação aponta que as operações teriam ocorrido entre 2024 e 2026 em uma agência localizada em Miguelópolis, no interior paulista. Duas pessoas foram presas preventivamente, e a polícia apura como os valores foram retirados, para onde foram enviados e se outras pessoas participaram do esquema.
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Após a repercussão do caso, o Santander declarou que está colaborando com as autoridades e garantiu que nenhum cliente atingido terá prejuízo financeiro. A investigação, no entanto, continua para esclarecer a extensão das movimentações e a responsabilidade dos suspeitos.
Como o dinheiro teria sido desviado das contas do Santander
A suspeita é de que uma funcionária que ocupava o cargo de gerente tenha utilizado o acesso profissional às contas dos correntistas para realizar operações sem autorização.
De acordo com as informações investigadas, as movimentações incluíam saques, transferências bancárias e possíveis empréstimos contratados indevidamente em nome de clientes.
As irregularidades começaram a ser descobertas depois que correntistas perceberam operações que não reconheciam e procuraram as autoridades. A análise das contas levou a polícia a investigar um possível esquema que teria funcionado durante aproximadamente dois anos.
A investigação ainda busca identificar todas as pessoas afetadas e calcular o valor total envolvido nas operações suspeitas.
Idosos estão entre as principais vítimas
Entre os clientes que teriam sido prejudicados estão pessoas idosas que mantinham economias no banco.
Um dos casos investigados envolve uma aposentada de 78 anos que, segundo os relatos apresentados durante a apuração, teria perdido aproximadamente R$ 300 mil. A família percebeu o problema ao procurar a agência e identificar que o dinheiro disponível na conta havia praticamente desaparecido.
Outro relato envolve um aposentado de 71 anos que teria encontrado apenas R$ 517 em sua conta, apesar de possuir economias acumuladas ao longo da vida. A família também identificou movimentações e cobranças que o cliente não reconhecia.
Os relatos integram a apuração policial, que deverá esclarecer como cada operação foi realizada e quais valores poderão ser recuperados.
Quem são os suspeitos presos no caso?
A investigação aponta como principal suspeita Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, que trabalhou por aproximadamente 12 anos em uma agência do Santander em Miguelópolis.
O dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, companheiro da investigada, também foi preso preventivamente. A polícia apura se ele teria participado da movimentação de parte dos recursos.
Os investigadores analisam possíveis transferências para outras contas e indícios de que parte do dinheiro tenha passado por plataformas ou estabelecimentos de apostas. Aparelhos eletrônicos, documentos e outros materiais foram recolhidos durante as buscas para auxiliar na reconstrução das movimentações financeiras.
As prisões preventivas não representam condenação. A responsabilidade de cada investigado deverá ser determinada no decorrer da investigação e de eventual processo judicial.
Santander se pronuncia sobre o dinheiro dos clientes
O banco informou que sua área de inteligência acompanha o caso e colabora com a Polícia Civil desde o início das investigações.
A instituição também afirmou que trabalha para esclarecer as operações e identificar os responsáveis. Em seu posicionamento público, garantiu que os clientes envolvidos não terão prejuízo financeiro em consequência dos fatos investigados.
Apesar dessa garantia, não há, nas informações públicas consultadas, um calendário individualizado que detalhe quando cada correntista receberá eventuais valores ainda pendentes.
Por isso, clientes que identificarem movimentações desconhecidas devem formalizar a contestação junto ao banco e guardar os protocolos de atendimento e os documentos relacionados ao caso.
Defesa dos investigados apresenta versões diferentes
A defesa de Vanessa afirmou que ela enfrenta problemas relacionados à dependência de jogos e apostas e mencionou condições de saúde para as quais, segundo o advogado, existem laudos.
Já a defesa de Adilson negou que o dentista tenha participado de atividades ilícitas relacionadas à investigação.
As alegações das defesas não encerram a apuração. A polícia continua analisando as movimentações financeiras e os materiais apreendidos para determinar a participação de cada suspeito.
O que fazer se aparecer dinheiro retirado sem autorização na conta?
Clientes que perceberem saques, transferências, empréstimos ou cobranças que não reconhecem devem agir rapidamente para registrar a ocorrência e proteger a conta.
Entre as principais medidas estão:
- Entrar em contato com o banco pelos canais oficiais e contestar as operações desconhecidas.
- Guardar extratos e comprovantes que mostrem as movimentações questionadas.
- Registrar um boletim de ocorrência, especialmente se houver suspeita de fraude ou uso indevido de dados.
- Solicitar protocolos de atendimento e guardar as respostas recebidas da instituição.
- Alterar senhas e revisar os acessos, caso exista suspeita de comprometimento das credenciais bancárias.
Se houver empréstimo não reconhecido ou cobrança relacionada a uma operação contestada, o cliente deve pedir formalmente a análise do contrato e dos registros da transação.
Clientes do Santander terão o dinheiro de volta?
O Santander afirmou que os clientes envolvidos não terão prejuízo financeiro. Entretanto, a devolução efetiva de cada valor precisa ser confirmada conforme a situação de cada correntista.
A investigação também continua para esclarecer o total movimentado, identificar todas as vítimas e verificar o destino dos recursos.
O caso reforça a importância de acompanhar extratos e notificações bancárias, sobretudo quando surgem saques, transferências ou contratos que o titular não reconhece. Quem encontrar alguma irregularidade deve comunicá-la imediatamente ao banco e manter o registro formal da contestação.

