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Por mais um ano o especial de Natal do canal do youtube Porta dos Fundos, intitulado “A Primeira Tentação de Cristo”, veiculado na Netflix, revoltou grupos religiosos.

O enredo apresenta Jesus Cristo no seu 30º aniversário, recém chegado do deserto. Porém, a crítica se concentra no fato de Jesus ser representado como um homem gay e ter trazido consigo do deserto um namorado, que mais tarde se revela Lúcifer. Além disso, a trama apresenta José sendo corno, já que Maria tem um caso explícito com Deus.

Há anos assisto os vídeos do Porta, primeiro porque em diversos deles se mesclam humor inteligente com críticas, e acreditem, ninguém escapa: religiões, políticos, héteros, LGBTs, negros, brancos, ricos, pobres e por aí vai.

Acerca dos especiais de Natal, por óbvio, eles sempre se concentram na vida do aniversariante. Confesso que o deste ano foi o que menos ri, em alguns momentos até achei tosco, bem menos do que os anteriores, entretanto, não posso dizer que o canal comete um crime ou desrespeito, afinal, é humor, e além disso, ninguém me obrigou a assistir.

A revolta dos religiosos, embora não seja ilegítima, tem sinais de parcialidade e até mesmo de hipocrisia. Convenhamos que a representação de Cristo como homossexual não é o mal dos males, além de não haver problema nenhuma em ser gay. Gostaria muito que esses mesmos grupos se levantassem contra os incontáveis casos de pedofilia nas igrejas, contra injustiças, que de fato ajudassem os necessitados, que não traíssem esposas ou maridos, que não defendessem corruptos, que se manifestassem contra o machismo, racismo e a homofobia. Além do mais, o sexo é algo presente na Bíblia, acredite, o pecado de Eva não foi comer uma maça.

Achar que pedir (em vão) o boicote do serviço de streaming mais famoso do planeta vai melhorar o mundo, é um equívoco. Discordar, achar ruim o especial e retirar as crianças da sala, é um direito, contudo, aposto que Deus com sua onisciência suprema, está atento para outros pecados da humanidade, mais graves e praticados com bem mais frequência.