O El Niño no RS voltou a entrar no radar dos especialistas e pode provocar reflexos que vão muito além das mudanças no clima. Além de influenciar o regime de chuvas e os níveis dos reservatórios, o fenômeno pode acabar afetando o bolso dos gaúchos nos próximos anos, especialmente por meio da conta de luz.
As projeções climáticas indicam a possibilidade de um novo episódio do El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027. O cenário já vem sendo monitorado por autoridades e agentes do setor elétrico devido aos possíveis impactos sobre a geração de energia no Brasil.
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Embora os reservatórios brasileiros apresentem níveis considerados confortáveis em diversas regiões, especialistas alertam que a intensidade e a duração do fenômeno serão determinantes para o comportamento do sistema elétrico nos próximos anos.
Como o El Niño no RS pode afetar a conta de luz?
O principal risco está na redução das chuvas em áreas estratégicas para a geração de energia hidrelétrica, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, onde se concentram os maiores reservatórios do país.
Quando o volume de água armazenada diminui, o sistema elétrico precisa recorrer com mais frequência às usinas termelétricas. Essas unidades possuem custos de operação mais elevados e podem aumentar o valor da energia produzida.
Caso esse cenário se confirme, uma das consequências pode ser o acionamento das bandeiras tarifárias, mecanismo que repassa parte dos custos extras para os consumidores.
Temperaturas mais altas também preocupam
Além dos impactos sobre as chuvas, o El Niño costuma provocar aumento das temperaturas médias em diversas regiões do Brasil.
Com o calor mais intenso, cresce o uso de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e equipamentos de refrigeração, elevando o consumo de energia elétrica em residências, empresas e indústrias.
Esse aumento da demanda ocorre justamente em um momento em que a geração pode enfrentar desafios relacionados ao nível dos reservatórios.
Setor elétrico acompanha cenário com atenção
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já acompanha os modelos climáticos e trabalha com estratégias para reforçar a segurança energética do país.
Entre as alternativas estão o maior aproveitamento de fontes complementares, como energia eólica e solar. Apesar do avanço dessas tecnologias, especialistas destacam que elas ainda não conseguem substituir totalmente a capacidade de geração contínua das hidrelétricas.
Por isso, o comportamento das chuvas continuará sendo um dos fatores mais importantes para o equilíbrio do sistema.
O que pode acontecer em 2027?
Ainda não há confirmação de que haverá aumento nas tarifas de energia. No entanto, especialistas avaliam que um evento intenso pode pressionar os custos de geração e elevar os gastos do setor elétrico.
Por esse motivo, o El Niño segue sendo acompanhado de perto por órgãos de monitoramento climático e pelas autoridades responsáveis pelo abastecimento energético do país.
Se as projeções atuais forem confirmadas, o fenômeno poderá provocar impactos que vão desde alterações no clima até reflexos diretos no bolso dos consumidores gaúchos ao longo de 2027.

