“A enchente de agora é apenas a primeira de muitas”: meteorologista da MetSul faz alerta sobre eventos recentes de chuva, cheias e inundações no RS

O El Niño em 2026 pode provocar novas enchentes, temporais e chuva extrema nos próximos meses, segundo o meteorologista da MetSul.

As enchentes que atingem o Rio Grande do Sul nesta semana podem representar apenas o início de um período prolongado de eventos climáticos extremos, segundo avaliação do meteorologista Luiz Nachtigall, da MetSul Meteorologia.

Em uma análise publicada nesta quarta-feira (22), o especialista afirmou que o cenário atual merece atenção porque os modelos climáticos indicam que o fenômeno deve ganhar força nos próximos meses, aumentando significativamente o risco de novas enchentes, tempestades e episódios de chuva intensa.

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Segundo Nachtigall, o El Niño em 2026 já apresenta características que preocupam os meteorologistas e pode evoluir para um dos episódios mais intensos já registrados desde o início das medições da temperatura do Oceano Pacífico, ainda no século XIX.

“A enchente de agora é apenas a primeira de muitas”, afirmou o meteorologista.

Meteorologista afirma que El Niño pode ser histórico em 2026

De acordo com Luiz Nachtigall, o fenômeno atual não seria um episódio comum de El Niño.

Segundo ele, os indicadores utilizados internacionalmente para monitorar o Pacífico Equatorial mostram anomalias de aproximadamente 2°C na superfície do mar, nível que já caracteriza um chamado “Super El Niño”.

O meteorologista acrescenta que os principais modelos climáticos analisados pela MetSul apontam possibilidade de aquecimento ainda maior ao longo do segundo semestre, com projeções que poderiam alcançar entre 3,5°C e 4°C acima da média histórica em algumas regiões do Pacífico.

Caso essas projeções se confirmem, o episódio poderá se tornar um dos mais intensos desde o início dos registros meteorológicos.

Risco de enchentes deve aumentar, diz MetSul

Segundo a análise publicada por Nachtigall, um Super El Niño não significa automaticamente que todas as regiões sofrerão enchentes severas.

No entanto, ele explica que eventos dessa magnitude aumentam significativamente a probabilidade de ocorrência de fenômenos extremos, principalmente excesso de chuva, temporais e inundações.

O meteorologista lembra que a intensidade do fenômeno de 2026 já supera a observada durante o El Niño de 2023/2024, embora ressalte que isso não significa, necessariamente, que haverá uma enchente igual ou maior à registrada em 2024 no Rio Grande do Sul.

Ainda assim, segundo ele, o risco climático aumenta de forma importante.

Período mais crítico deve ocorrer entre setembro e dezembro

Na avaliação do especialista da MetSul, os meses entre setembro e dezembro deverão concentrar o maior potencial para eventos extremos.

Segundo Nachtigall, esse período poderá ser marcado por:

  • sucessivas ondas de tempestades;
  • episódios de chuva excessiva;
  • enchentes em diferentes regiões;
  • possibilidade de inundações de grande porte.

Além disso, ele afirma que alguns modelos climáticos indicam que os efeitos do El Niño poderão persistir durante o verão.

Caso isso aconteça, episódios de chuva intensa poderão continuar entre dezembro e março, acompanhados por temporais típicos da estação, com possibilidade de alagamentos, enxurradas e vendavais.

Outono de 2027 também preocupa

Outro ponto destacado pelo meteorologista envolve o comportamento tradicional do fenômeno.

Segundo Nachtigall, embora o pico do El Niño normalmente ocorra no fim do ano, existe um atraso de aproximadamente três a quatro meses entre o aquecimento do oceano e seus principais efeitos sobre a atmosfera.

Por esse motivo, ele chama atenção para o outono de 2027.

De acordo com sua análise, abril e maio do próximo ano também apresentam risco elevado para novos episódios de chuva extrema e enchentes, lembrando que as grandes cheias históricas de 1941 e 2024 ocorreram justamente durante o outono seguinte ao início de fortes episódios de El Niño.

Projeções ainda dependem da evolução do fenômeno

As projeções apresentadas por Luiz Nachtigall são baseadas em modelos climáticos e representam cenários de tendência, que podem sofrer alterações conforme novas atualizações meteorológicas forem divulgadas.

Ainda assim, o meteorologista defende que autoridades e população acompanhem atentamente a evolução do El Niño em 2026, devido ao potencial de aumento do risco de eventos climáticos extremos nos próximos meses.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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