Encostado na parede do vizinho, homem monta galinheiro com 20 aves após receber reclamação de som alto, mas Justiça determina pela remoção completa por uso anormal da residência

Galinheiro com 20 aves perto do quarto do vizinho provoca barulho e odor e termina com decisão da Justiça pela retirada da estrutura.

Um morador decidiu instalar um galinheiro com 20 aves junto à parede do quarto do vizinho depois de uma reclamação envolvendo som alto. O que poderia parecer apenas uma criação dentro do próprio terreno acabou gerando uma nova disputa, desta vez por causa de barulho, odores e outros incômodos provocados pela estrutura.

A situação chegou à Justiça, que determinou a retirada do galinheiro diante das características do caso e do entendimento de que o uso da propriedade havia ultrapassado os limites considerados aceitáveis para a vizinhança.

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Por que o galinheiro pode causar problema mesmo estando no próprio terreno?

Ser proprietário de um imóvel não significa ter liberdade absoluta para utilizá-lo de qualquer maneira. O direito de propriedade precisa respeitar também o sossego, a segurança e a saúde dos moradores das propriedades próximas.

O artigo 1.277 do Código Civil permite que o proprietário ou possuidor busque fazer cessar interferências prejudiciais provocadas pelo imóvel vizinho.

No caso de um galinheiro, vários fatores podem ser considerados:

  • quantidade de aves mantidas no espaço;
  • distância em relação à residência vizinha;
  • intensidade dos ruídos;
  • frequência dos incômodos;
  • presença de odores;
  • condições de higiene;
  • proliferação de insetos;
  • proximidade com quartos e áreas de descanso.

Por isso, não é apenas a existência das galinhas que determina se a criação é irregular ou abusiva.

Ter 20 aves pode aumentar o impacto sobre os vizinhos?

A quantidade de animais pode fazer diferença na análise. Um pequeno espaço destinado à criação doméstica não necessariamente produz os mesmos efeitos de um recinto com 20 aves concentradas próximo a uma residência.

Quanto maior o número de animais, maior também pode ser a quantidade de resíduos, a movimentação e a necessidade de manutenção do local.

Além disso, é preciso considerar onde o imóvel está localizado. Uma criação que poderia ser perfeitamente compatível com uma propriedade rural pode gerar um impacto diferente em uma área residencial com terrenos pequenos e casas muito próximas.

Por que a localização do galinheiro foi importante?

A estrutura não foi instalada simplesmente em algum ponto do terreno. Ela ficou junto à parede do quarto do vizinho, aproximando justamente uma área de descanso dos ruídos e odores produzidos pelas aves.

Essa proximidade pode ser relevante para avaliar a intensidade da interferência.

Fotos, vídeos e testemunhos podem ajudar a demonstrar a situação. Entre os registros que podem ser úteis estão:

  • fotografias mostrando a distância entre as propriedades;
  • vídeos dos ruídos produzidos pelas aves;
  • imagens das condições do galinheiro;
  • registros de resíduos e problemas de higiene;
  • mensagens trocadas entre os moradores;
  • testemunhos de pessoas que presenciaram os incômodos.

Reclamação anterior de som alto muda o caso?

A existência de uma discussão anterior também pode ser analisada. Se o galinheiro foi instalado justamente depois de uma reclamação sobre som alto, a sequência dos acontecimentos pode ajudar a esclarecer o contexto do conflito.

Isso, porém, não significa que a decisão judicial dependa exclusivamente da intenção de provocar o vizinho.

Mesmo que não fosse possível provar uma atitude de retaliação, os próprios efeitos produzidos pela criação poderiam ser suficientes para gerar uma discussão sobre o uso da propriedade.

Barulho persistente, mau cheiro, insetos ou outras interferências que ultrapassem os limites ordinários de tolerância podem justificar medidas para interromper o problema.

A Justiça pode mandar retirar um galinheiro?

Dependendo das circunstâncias, sim. A solução precisa considerar a intensidade da interferência, a localização da estrutura e a possibilidade de corrigir o problema de outra maneira.

Em determinadas situações, pode ser possível:

  • mudar o galinheiro de lugar;
  • reduzir a quantidade de animais;
  • melhorar as condições de higiene;
  • adaptar a estrutura;
  • criar barreiras ou afastamentos;
  • ou retirar completamente o recinto.

A retirada tende a ser uma medida mais drástica, mas pode ser determinada quando as alternativas não forem suficientes para eliminar a interferência.

O que esse caso ensina sobre conflitos de vizinhança?

O principal ponto é que uma estrutura pode estar completamente dentro do terreno e ainda assim provocar efeitos que atingem a propriedade ao lado.

Ruídos, odores, insetos e resíduos não ficam necessariamente limitados pela divisa física entre os imóveis. Por isso, o uso de uma propriedade precisa respeitar também os limites impostos pelo direito de vizinhança.

No caso do galinheiro com 20 aves, a combinação entre quantidade de animais, proximidade do quarto e os incômodos relatados levou a disputa para a Justiça.

A situação mostra que a ideia de que “cada um pode fazer o que quiser dentro do próprio terreno” tem limites. Quando o uso de uma propriedade começa a prejudicar de maneira relevante o sossego, a segurança ou a saúde dos moradores vizinhos, a questão pode deixar de ser apenas uma escolha particular e se transformar em um problema jurídico.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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