Uma das empresas mais conhecidas do setor de telecomunicações brasileiro chegou a mais um capítulo de sua longa crise financeira. A Oi teve a falência restabelecida pela Justiça do Rio de Janeiro nesta terça-feira (25), depois de anos tentando reorganizar suas contas por meio de recuperações judiciais, venda de ativos e negociações com credores.
A companhia acumulava aproximadamente R$ 45,5 bilhões em dívidas com credores externos, além de novas obrigações que continuaram surgindo durante o processo de reestruturação. Em março de 2026, o grupo também apresentava patrimônio líquido negativo superior a R$ 22,6 bilhões.
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Justiça restabelece falência da Oi
A decisão foi tomada pela Primeira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que retomou o julgamento dos recursos relacionados à situação financeira da companhia.
Com a decisão, a falência que havia sido decretada anteriormente volta a valer. A medida ocorre depois de a empresa demonstrar dificuldades para cumprir obrigações essenciais e manter recursos suficientes para sustentar suas operações.
A Oi já havia enfrentado uma decretação de falência em novembro de 2025, mas a decisão acabou sendo suspensa posteriormente após recursos apresentados por grandes bancos credores.
Empresa chegou ao segundo processo de recuperação judicial
A situação atual é resultado de uma crise que se arrasta há quase uma década.
A Oi entrou pela primeira vez em recuperação judicial em 2016, em um dos maiores processos desse tipo já registrados no país. Depois de anos de negociações e venda de ativos, a empresa conseguiu sair da recuperação em 2022.
Entretanto, a melhora não durou.
Em 2023, a Oi entrou novamente em recuperação judicial, dessa vez com dívidas que ultrapassavam R$ 44 bilhões.
Desde então, a companhia passou a vender partes importantes de sua estrutura para tentar levantar recursos e reduzir o endividamento.
Oi vendeu ativos para tentar sobreviver
Entre os principais ativos negociados ao longo da reestruturação estão a operação de telefonia móvel, a infraestrutura de fibra óptica e outros negócios.
A operação móvel da Oi foi vendida para um consórcio formado por Vivo, TIM e Claro, enquanto a infraestrutura de fibra óptica passou a ser concentrada na V.tal.
A empresa também deixou de atuar como concessionária de telefonia fixa em 2024, passando a operar sob um regime de autorização.
Mesmo com essas vendas, os recursos obtidos não foram suficientes para solucionar completamente a situação financeira.
Falta de dinheiro agravou a situação
Um dos principais problemas apontados no processo foi justamente a dificuldade da companhia em conseguir caixa para manter suas atividades.
Segundo informações do processo, a Oi passou a enfrentar problemas para pagar fornecedores e manter serviços essenciais. Alguns fornecedores chegaram a suspender serviços devido à inadimplência da empresa.
O cenário acabou aumentando a pressão sobre a companhia e seus credores.
Ao mesmo tempo, a venda de outros ativos importantes enfrentou obstáculos judiciais, dificultando ainda mais a obtenção de recursos.
Dívida ultrapassa R$ 45 bilhões
O tamanho do passivo ajuda a explicar a dimensão da crise.
Em outubro de 2025, o administrador judicial apontou aproximadamente R$ 45,5 bilhões em dívidas com credores externos, além de cerca de R$ 1,7 bilhão em novas obrigações.
O patrimônio da companhia também se deteriorou. Em março de 2026, o patrimônio líquido negativo do Grupo Oi já ultrapassava R$ 22,6 bilhões.
O que acontece agora com a Oi
Com a falência restabelecida, a empresa passa a ter seu patrimônio e suas atividades submetidos às regras do processo falimentar.
O advogado Bruno Rezende foi nomeado administrador judicial, responsável por acompanhar a situação da companhia e auxiliar na condução do processo.
A venda de ativos continua sendo uma das alternativas para levantar recursos e pagar credores. Entre os negócios envolvidos estão operações relacionadas à telefonia fixa e à participação da companhia na V.tal, embora algumas dessas negociações estejam enfrentando disputas judiciais.
Clientes não ficam simplesmente sem telefone
A falência da Oi não significa que todos os serviços serão desligados imediatamente.
A companhia possui operações e ativos que passaram por diferentes processos de venda e reorganização. A telefonia fixa, por exemplo, já havia sido negociada e sua operação passou por mudança de controle.
Além disso, diante da importância de determinados serviços de telecomunicações, o processo judicial precisa considerar a continuidade das operações essenciais e os impactos sobre consumidores e outros usuários.
Por isso, a falência representa principalmente uma mudança na forma como a empresa será administrada e como seus ativos e dívidas serão tratados judicialmente.
Fim de uma das maiores empresas de telefonia do país
A nova decisão judicial encerra mais uma tentativa de recuperação da Oi, empresa que durante décadas esteve entre as maiores companhias de telecomunicações do Brasil.
Depois de duas recuperações judiciais, vendas de ativos, mudanças societárias e bilhões de reais em dívidas, a companhia volta a enfrentar oficialmente um processo de falência.
O caso ainda deverá avançar por diversas etapas na Justiça, principalmente envolvendo credores, ativos, contratos e continuidade dos serviços.
A Oi, portanto, chega a um dos momentos mais delicados de sua história, após não conseguir superar uma crise financeira que se prolongou por anos e deixou um passivo de aproximadamente R$ 45,5 bilhões.

