Emprestar CPF para um amigo comprar uma televisão, celular, eletrodoméstico ou qualquer outro produto parcelado pode parecer apenas um favor. O problema começa quando a outra pessoa deixa de pagar e a cobrança acaba chegando justamente para quem colocou o nome na compra.
Imagine a situação: um homem aceita emprestar o CPF para que um amigo compre uma TV de 80 polegadas em 24 parcelas. As duas primeiras prestações são pagas normalmente. Na terceira, porém, o amigo para de pagar.
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A televisão continua com ele, mas a dívida não muda automaticamente de dono. Para a loja ou instituição financeira, quem aparece no contrato continua sendo responsável pelas parcelas.
Emprestar CPF deixa a dívida com quem?
Quando uma compra parcelada é feita usando o CPF de uma pessoa, é ela que fica formalmente vinculada ao contrato.
Isso significa que, mesmo que exista um acordo entre amigos dizendo que outra pessoa ficará responsável pelos pagamentos, essa combinação particular não altera automaticamente a relação com a loja, banco ou financeira.
Se as parcelas deixarem de ser pagas, a cobrança continuará sendo direcionada para quem aparece como titular da dívida.
Amigo pode simplesmente assumir as parcelas?
Não basta apenas combinar.
Para que uma dívida seja formalmente transferida para outra pessoa e o devedor original deixe de responder por ela, é necessário que o credor concorde com essa mudança.
Na prática, a loja ou instituição financeira precisa aceitar que outra pessoa assuma a obrigação.
Sem essa autorização, quem colocou o CPF na compra continua responsável pelo débito, mesmo que não tenha ficado com o produto.
Nome de quem emprestou o CPF pode ser negativado?
Se o amigo parar de pagar e as parcelas permanecerem em aberto, quem aparece no contrato poderá sofrer as consequências da inadimplência.
Isso pode incluir cobranças e, respeitadas as regras previstas na legislação, a inclusão do nome nos cadastros de proteção ao crédito.
Ou seja: dizer para a empresa que “a TV está com meu amigo” não é suficiente para retirar a responsabilidade daquele que contratou a compra.
Quem emprestou o CPF pode cobrar o amigo?
Dependendo da situação, quem acabou pagando uma dívida assumida por outra pessoa pode tentar buscar o ressarcimento dos valores.
Por isso, provas do acordo podem ser importantes.
Mensagens de WhatsApp em que o amigo reconhece que pagaria as prestações, comprovantes das primeiras parcelas, transferências bancárias, recibos e outros registros podem ajudar a demonstrar que existia um compromisso entre as partes.
Caso não exista acordo para devolver o dinheiro, a situação pode acabar sendo discutida judicialmente.
Favor pode virar um problema financeiro
Emprestar o nome ou o CPF para outra pessoa fazer uma compra exige cuidado justamente porque o risco fica com quem aparece no contrato.
Mesmo que seja um amigo próximo ou familiar, uma promessa de pagamento não significa que a responsabilidade perante a empresa também foi transferida.
Antes de aceitar esse tipo de pedido, portanto, é importante fazer uma pergunta simples: se essa pessoa parar de pagar amanhã, eu teria condições de assumir sozinho todas as parcelas?
Se a resposta for não, um favor aparentemente simples pode terminar em dívida, cobranças e problemas no CPF.

