O Super El Niño está ganhando força e pode entrar para a história como um dos episódios mais intensos já registrados. As projeções mais recentes indicam que o fenômeno deverá atingir seu pico em dezembro de 2026, com um aquecimento excepcional das águas do Oceano Pacífico.
A previsão chama a atenção de meteorologistas porque o El Niño altera a circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. Dependendo da intensidade e das condições locais, seus efeitos podem incluir períodos de estiagem, chuvas intensas e temperaturas acima da média.
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Em julho, análises publicadas pela revista científica Nature apontaram que o episódio poderia se tornar o mais intenso em pelo menos 150 anos. A possibilidade, porém, depende da confirmação das projeções ao longo dos próximos meses.
Super El Niño deve atingir o pico em dezembro de 2026
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou, em 8 de outubro, uma atualização indicando que o El Niño deve continuar se intensificando até alcançar seu pico previsto para dezembro.
Segundo a organização, a anomalia média da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 poderá chegar a aproximadamente 3,7°C acima do normal no trimestre de outubro a dezembro de 2026.
Essa região do Pacífico equatorial é uma das principais referências utilizadas pelos cientistas para monitorar a intensidade do fenômeno.
Para comparação, a anomalia registrada durante o episódio de 2015 e 2016 chegou a aproximadamente 2,6°C no trimestre de novembro a janeiro, de acordo com a OMM.
Se a projeção atual se confirmar, o aquecimento previsto superará esse valor. Ainda assim, trata-se de uma estimativa para o trimestre, e não de uma temperatura já observada ou de um recorde definitivamente confirmado.
Super El Niño pode superar marcas históricas
A possibilidade de um evento excepcional ganhou destaque após análises científicas divulgadas ao longo de 2026.
Em julho, a revista Nature publicou uma reportagem segundo a qual o fenômeno estava a caminho de se tornar o mais intenso em pelo menos 150 anos, caso as previsões apresentadas pelos pesquisadores se concretizassem.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), por sua vez, informou em sua atualização de 8 de outubro que havia 83% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade forte a muito forte no trimestre de outubro a dezembro, segundo o indicador utilizado pela agência.
A NOAA também apontou uma possibilidade elevada de o episódio superar os níveis de intensidade observados desde 1950.
É importante, entretanto, diferenciar uma projeção de um recorde confirmado. Os dados dos próximos meses serão fundamentais para determinar a intensidade efetivamente alcançada.
Além disso, a expressão “Super El Niño” é uma denominação popular para episódios excepcionalmente intensos, e não uma categoria meteorológica oficial.
Temperaturas do Pacífico ajudam a explicar o alerta
As medições recentes mostram que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico continua avançando.
Segundo a NOAA, o índice Niño 3.4 registrou uma anomalia de aproximadamente 2,1°C em setembro, enquanto outras áreas do Pacífico equatorial apresentaram desvios ainda maiores em relação às temperaturas habituais.
Os cientistas também monitoram o calor acumulado abaixo da superfície oceânica. Essas reservas de água quente ajudam a compreender a evolução do fenômeno e sua interação com a atmosfera.
As alterações nos ventos e na circulação atmosférica também são importantes para avaliar se o El Niño continuará se fortalecendo nos próximos meses.
A combinação desses fatores explica por que os centros meteorológicos acompanham o episódio com atenção, embora a intensidade final ainda dependa da evolução das condições oceânicas e atmosféricas.
Super El Niño pode provocar chuvas intensas e calor no Brasil
No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região e a época do ano. Por isso, a previsão de um episódio muito intenso aumenta a importância do monitoramento climático, mas não significa que todos os estados terão as mesmas condições.
Historicamente, o fenômeno costuma favorecer períodos mais chuvosos no Sul do país. Dependendo da intensidade das precipitações e das condições locais, isso pode aumentar o risco de temporais, alagamentos e cheias de rios.
No Norte e no Nordeste, o El Niño pode contribuir para a redução das chuvas em determinadas áreas, elevando a preocupação com a estiagem, a disponibilidade de água e as atividades agrícolas.
No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos sobre a temperatura e a precipitação também dependem da interação com outros sistemas meteorológicos.
A ocorrência de um Super El Niño, portanto, não permite afirmar antecipadamente que uma cidade específica enfrentará enchentes, seca ou calor extremo em determinada data. Para isso, é necessário acompanhar as previsões regionais e os alertas emitidos pelos órgãos meteorológicos.
El Niño pode continuar influenciando o clima em 2027
O impacto do fenômeno não deve terminar imediatamente após o pico previsto para dezembro.
Na atualização divulgada em outubro, a OMM indicou que o El Niño deverá persistir até fevereiro de 2027. A NOAA também apontou uma probabilidade superior a 83% de condições fortes a muito fortes durante o trimestre de janeiro a março.
Isso significa que as alterações nos padrões de chuva e temperatura poderão continuar durante os primeiros meses do próximo ano.
A intensidade dos efeitos, porém, dependerá da evolução do fenômeno e das características climáticas de cada região.
Os modelos também indicam a possibilidade de enfraquecimento gradual ao longo de 2027, mas o momento dessa transição ainda precisa ser acompanhado nas próximas atualizações.
Próximos meses serão decisivos para confirmar o recorde
Os registros de temperatura do Pacífico, o calor acumulado nas camadas profundas do oceano e as mudanças na circulação atmosférica serão fundamentais para avaliar a força final do episódio.
As próximas atualizações da OMM e da NOAA devem ajudar a esclarecer se as projeções mais extremas se confirmarão.
Enquanto isso, acompanhar as previsões regionais é importante para que a população e os setores afetados pelo clima possam se preparar para possíveis períodos de chuva intensa, estiagem ou calor acima da média.
Se as estimativas mais elevadas se concretizarem, o Super El Niño de 2026 poderá superar marcas históricas de intensidade. Por enquanto, o pico de dezembro e a possibilidade de um recorde continuam sendo previsões que dependem da evolução do fenômeno.

