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Canoas
19 de junho de 2026

“Não é novidade:” El Niño já provocou enchentes históricas e prejuízos bilionários no RS desde a década de 1980; veja fotos

O possível retorno do El Niño reacende um alerta antigo no Rio Grande do Sul. Veja o que o fenômeno já causou desde os anos 1980.

Sempre que o El Niño retorna, o RS volta a olhar para o céu com preocupação. O fenômeno climático já esteve por trás de algumas das maiores enchentes, temporais e prejuízos registrados no estado desde a década de 1980, deixando marcas que permanecem vivas na memória de milhares de famílias gaúchas.

O fenômeno voltou a ser monitorado por centros meteorológicos internacionais e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), que acompanha o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. A preocupação não surge por acaso. Para os gaúchos, o nome El Niño está diretamente associado a alguns dos episódios de chuva extrema mais marcantes da história recente do estado.

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Embora cada evento tenha características próprias, a experiência mostra que períodos de El Niño costumam aumentar significativamente as chances de chuva acima da média no Rio Grande do Sul, favorecendo enchentes, deslizamentos, enxurradas e prejuízos econômicos.

O que é o El Niño?

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal durante vários meses consecutivos.

Essa mudança altera a circulação atmosférica em diferentes partes do planeta e influencia diretamente os padrões de chuva e temperatura.

No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região. Enquanto partes do Norte e Nordeste costumam enfrentar redução das chuvas, o Sul frequentemente registra precipitações acima da média.

O El Niño de 1982/83 entrou para a história do RS

Quando os meteorologistas falam sobre episódios extremos de El Niño, o evento de 1982/83 quase sempre aparece entre os mais intensos já registrados.

(Foto da cidade de Rolante – RS durante enchente de 1982. Foto: Acervo do Museu Municipal)

Naquele período, o Rio Grande do Sul enfrentou chuvas persistentes durante meses, provocando enchentes em diversas regiões e afetando milhares de famílias.

(Foto: acervo Museu Histórico Vale do Caí)

O episódio ficou marcado por grandes cheias de rios, destruição de lavouras, danos à infraestrutura e prejuízos econômicos em larga escala. As enchentes de 1983 são lembradas até hoje como uma das maiores tragédias climáticas do século passado no estado.

Muitos especialistas consideram aquele evento um dos marcos da relação entre o El Niño e os desastres naturais registrados no Sul do Brasil.

O forte El Niño de 1997/98 trouxe novas enchentes

Pouco mais de uma década depois, outro episódio extremamente forte voltou a atingir o planeta.

O El Niño de 1997/98 é frequentemente citado entre os mais intensos já observados em escala global.

No Rio Grande do Sul, os efeitos apareceram novamente na forma de chuvas excessivas, enchentes e enxurradas.

Dados da Defesa Civil gaúcha apontam que, em 1997, as enchentes e enxurradas associadas ao fenômeno deixaram 162 municípios em situação de emergência.

As perdas atingiram áreas urbanas e rurais, comprometendo estradas, pontes, plantações e moradias.

O fenômeno voltou a preocupar em 2015 e 2016

Após alguns anos de menor intensidade, o planeta registrou outro El Niño extremamente forte entre 2015 e 2016.

(Parque de Exposições Assis Brasil, Esteio, durante as chuvas de 2015. Foto: Fagner Almeida/ABCCC)

O evento é considerado por pesquisadores um dos três “super El Niños” mais intensos dos últimos tempos, ao lado dos episódios de 1982/83 e 1997/98.

No Rio Grande do Sul, novamente houve aumento das chuvas, elevação dos níveis dos rios e ocorrência de enchentes em diferentes regiões.

Além dos prejuízos para moradores, produtores rurais enfrentaram perdas em lavouras e dificuldades logísticas causadas pelo excesso de precipitação.

O que aconteceu em 2023 e 2024?

(Foto do bairro Mathias Velho, em Canoas-RS, completamente inundado em 2024. Créditos: Gustavo Mansur/ Palácio Piratini)

O episódio mais recente de El Niño começou em 2023 e teve reflexos importantes em diversas regiões do Brasil.

Segundo análise do INMET, o fenômeno influenciou significativamente os padrões climáticos observados entre 2023 e os primeiros meses de 2024.

No Rio Grande do Sul, o período coincidiu com uma sequência de eventos extremos de chuva que culminaram nas enchentes históricas registradas em 2024.

Estudos posteriores apontaram que o El Niño foi um dos fatores que contribuíram para o aumento das precipitações que atingiram o estado, embora não tenha sido o único responsável.

As enchentes de 2024 afetaram centenas de municípios, deixaram milhares de pessoas desalojadas e provocaram uma das maiores crises climáticas já enfrentadas pelo Rio Grande do Sul.

O novo El Niño pode repetir os eventos do passado?

Essa é a pergunta que muitos gaúchos fazem atualmente.

A resposta dos especialistas é que não existe garantia de repetição exata dos impactos observados em 1983, 1998 ou 2024.

Cada episódio possui intensidade, duração e características próprias.

Porém, quanto mais forte for o aquecimento do Pacífico, maiores tendem a ser as alterações nos padrões climáticos. Por isso, o monitoramento constante realizado pelo INMET e por centros meteorológicos internacionais se torna fundamental.

Atualmente, projeções internacionais apontam a possibilidade de fortalecimento do fenômeno ao longo dos próximos meses, o que mantém o Rio Grande do Sul em estado de atenção.

Por que o Rio Grande do Sul costuma sofrer tanto durante o El Niño?

Especialistas explicam que o fenômeno favorece a formação e a permanência de sistemas de chuva sobre o Sul do Brasil.

Quando essas condições persistem por vários dias, rios podem subir rapidamente, aumentando o risco de enchentes e inundações.

Foi exatamente esse padrão que esteve presente em vários dos principais episódios registrados desde a década de 1980.

Por isso, sempre que surge a possibilidade de um novo El Niño forte, a memória dos gaúchos imediatamente retorna para eventos históricos como 1983, 1997/98, 2015/16 e as enchentes devastadoras observadas em 2024.

“Menção honrosa”: antes mesmo dos grandes eventos de El Niño, Canoas já convivia com enchentes históricas

Embora as enchentes mais associadas ao El Niño no Rio Grande do Sul sejam as de 1982/83, 1997/98 e 2023/24, Canoas já enfrentava graves inundações décadas antes. As grandes cheias de 1965 e 1967 marcaram a história da cidade, atingindo bairros como Mathias Velho, Rio Branco e Niterói.

Os prejuízos foram tão expressivos que acabaram impulsionando a criação do sistema de diques e casas de bombas que passou a proteger parte do município nas décadas seguintes. Para muitos moradores antigos, essas enchentes eram consideradas as maiores tragédias da cidade até os eventos extremos registrados em 2024.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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