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04 de julho de 2026

Amamentação pode reduzir o risco de TDAH em crianças, aponta novo estudo

Um novo estudo internacional reforçou a importância do aleitamento materno para o desenvolvimento infantil. Pesquisadores identificaram que bebês amamentados exclusivamente por até seis meses apresentaram menor risco de desenvolver sintomas de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) durante a infância.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Bergen, na Noruega, e acompanhou cerca de 37,6 mil famílias, analisando a relação entre o tempo de amamentação e o desenvolvimento de sintomas do transtorno em crianças entre 3 e 8 anos de idade.

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Benefícios foram observados ao longo da infância

Os pesquisadores verificaram que cada mês adicional de amamentação exclusiva esteve associado a uma redução dos sintomas relacionados ao TDAH nas avaliações realizadas aos 3, 5 e 8 anos de idade. Os resultados permaneceram consistentes mesmo após ajustes para fatores como predisposição genética, condições socioeconômicas e características da gestação.

Segundo os autores, o leite materno fornece nutrientes fundamentais para o desenvolvimento cerebral, incluindo ácidos graxos de cadeia longa, aminoácidos, anticorpos e bactérias benéficas que ajudam na formação do sistema nervoso.

Pesquisa mostra associação, não causa e efeito

Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores destacam que o estudo identificou uma associação entre a amamentação e a redução dos sintomas de TDAH, mas não comprovou uma relação direta de causa e efeito. Outros fatores ambientais, familiares e genéticos também influenciam o desenvolvimento do transtorno.

Os autores afirmam que novas pesquisas serão necessárias para compreender exatamente quais mecanismos biológicos explicam essa relação e qual é o papel específico do aleitamento materno no desenvolvimento cerebral.

Aleitamento continua sendo recomendado

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversas entidades médicas já recomendam a amamentação exclusiva até os seis meses de vida e sua continuidade, juntamente com a alimentação complementar, até pelo menos os dois anos de idade.

Além da possível redução do risco de TDAH, o aleitamento materno está associado a diversos benefícios, como fortalecimento do sistema imunológico, menor risco de infecções, melhor desenvolvimento cognitivo e emocional e redução da probabilidade de algumas doenças ao longo da vida.

Especialistas orientam que o resultado seja interpretado com cautela

Embora os dados reforcem a importância da amamentação, especialistas lembram que o TDAH é um transtorno de origem multifatorial. Isso significa que fatores genéticos, ambientais e biológicos participam do seu desenvolvimento.

Por isso, a amamentação deve ser vista como um dos elementos que podem contribuir para um desenvolvimento saudável, mas não como uma forma de prevenir completamente o transtorno. A orientação continua sendo seguir as recomendações médicas e garantir o acompanhamento pediátrico desde os primeiros meses de vida.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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