Bilhete premiado de R$ 29 milhões da Mega-Sena vira disputa milionária na Justiça

Um bilhete da Mega-Sena com defeito de impressão deu origem a uma disputa judicial envolvendo uma ex-funcionária de uma casa lotérica e o proprietário do estabelecimento. O prêmio em discussão é de R$ 29 milhões, referente a um dos bilhetes vencedores de um concurso realizado em agosto de 2023. Até o momento, a Justiça ainda não definiu quem tem direito ao valor.

O caso ocorreu em Sinop (MT), onde duas apostas registradas na mesma lotérica acertaram as seis dezenas sorteadas. Uma das apostas foi entregue normalmente à cliente. A outra, com defeito de impressão, permaneceu na lotérica e acabou se tornando o centro da disputa.

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Como começou a confusão

Segundo a investigação, no dia 12 de agosto de 2023, uma cliente fez uma aposta na Mega-Sena. Durante a impressão do comprovante, houve uma falha na máquina.

Diante do problema, a atendente emitiu um novo bilhete com os mesmos números e entregou o comprovante correto à cliente, que posteriormente recebeu sua parte do prêmio. Já o primeiro bilhete, com defeito de impressão, permaneceu guardado na lotérica.

As imagens das câmeras de segurança mostram que a funcionária guardou o bilhete defeituoso em um cofre desativado utilizado pelos empregados para armazenar objetos.

Funcionária retirou o bilhete após o sorteio

Na segunda-feira seguinte ao sorteio, a ex-funcionária voltou ao trabalho, retirou o bilhete do local onde estava guardado e conferiu os números com a ajuda de uma colega.

As imagens do circuito interno registraram o momento em que ambas perceberam que aquele comprovante também correspondia a uma aposta premiada. Logo depois, a funcionária deixou a lotérica e foi até uma agência da Caixa Econômica Federal acompanhada do marido. Segundo a investigação, o casal informou que ele seria o proprietário da aposta.

Justiça bloqueou os R$ 29 milhões

Antes que o prêmio fosse pago, a Caixa iniciou uma análise devido ao defeito de impressão apresentado pelo bilhete.

Na sequência, a Justiça determinou o bloqueio preventivo dos R$ 29 milhões, após o proprietário da lotérica registrar uma queixa-crime alegando que o comprovante havia sido furtado. Desde então, o dinheiro permanece retido.

Em setembro de 2025, o Ministério Público denunciou a ex-funcionária e seu marido por furto qualificado, e ambos passaram a responder ao processo criminal.

Defesa afirma que a aposta foi paga

A defesa da ex-funcionária nega a existência de furto.

Segundo os advogados, ela pagou o valor correspondente ao bilhete com defeito, procedimento que, segundo a versão apresentada, fazia parte da rotina da lotérica quando ocorria erro de impressão ou alguma falha operacional.

Uma ex-colega de trabalho também afirmou que a funcionária teria arcado com o custo da aposta, motivo pelo qual a defesa sustenta que o bilhete passou a ser de sua propriedade.

Dono da lotérica contesta a versão

O proprietário da lotérica afirma que a ex-funcionária não poderia retirar nem tentar receber um comprovante com defeito de impressão.

Segundo sua defesa, as regras operacionais das loterias não permitem o reaproveitamento desse tipo de bilhete. Assim, ainda que a funcionária tivesse pago o valor da aposta, isso não lhe daria automaticamente o direito ao prêmio milionário. Na época, uma aposta simples da Mega-Sena custava R$ 5.

Caso segue sem decisão

A Caixa Econômica Federal informou que não comenta processos judiciais em andamento e afirmou apenas que cumpre as decisões da Justiça relacionadas ao pagamento de prêmios lotéricos.

Enquanto isso, o Ministério Público mantém a acusação criminal contra o casal, mas também manifestou entendimento de que o prêmio não pertence automaticamente nem à ex-funcionária nem à lotérica. A definição sobre quem ficará com os R$ 29 milhões dependerá da decisão da Justiça, que marcou as audiências de instrução e julgamento para fevereiro de 2027. Até lá, o valor continuará bloqueado.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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