Marido de aluguel revela o erro que mais causa vazamentos em casa e mostra por que apertar demais torneiras, sifões e registros pode piorar o problema

Aperto em conexões hidráulicas pode causar vazamentos e danificar peças. Veja como ajustar torneiras e outras conexões corretamente.

Muita gente acredita que apertar torneiras, registros e sifões com toda a força é a melhor maneira de evitar vazamentos em casa. Mas, segundo profissionais que trabalham diariamente com pequenos reparos, o excesso de força pode fazer justamente o contrário: danificar roscas, deformar borrachas e comprometer a vedação.

O problema costuma aparecer principalmente em peças instaladas em cozinhas, banheiros e áreas de serviço. Quando o morador percebe uma pequena gota de água, a reação mais comum é pegar uma chave e apertar ainda mais a conexão. Só que esse hábito pode transformar um vazamento simples em uma peça quebrada que precisa ser substituída.

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Por que apertar demais as conexões pode causar vazamentos?

O excesso de aperto em conexões hidráulicas pode comprometer os componentes responsáveis pela vedação. Dependendo do material utilizado, uma força exagerada pode deformar anéis de borracha, danificar gaxetas ou até trincar peças plásticas.

As conexões são projetadas para trabalhar dentro de determinados limites. Quando a força aplicada ultrapassa o necessário, a borracha pode ser comprimida de maneira inadequada e perder a capacidade de preencher as pequenas folgas existentes entre as peças.

É justamente nesse espaço que a água pode encontrar um caminho para escapar.

Por isso, a ideia de que uma conexão só está realmente segura quando foi apertada com o máximo de força possível não corresponde ao funcionamento desses componentes.

Como saber qual é o ponto certo de aperto?

Em muitas conexões utilizadas dentro de casa, o primeiro ajuste pode ser feito manualmente. A peça deve ser rosqueada até encontrar resistência e ficar firme, sem que seja necessário aplicar força excessiva.

Quando existe uma borracha ou gaxeta própria para vedação, ela precisa permanecer corretamente posicionada para cumprir sua função. Apertar além do necessário não melhora automaticamente a vedação.

Uma forma simples de fazer o ajuste é:

  • encaixar a peça e alinhar corretamente a rosca;
  • rosquear manualmente até encontrar resistência;
  • verificar se a borracha ou gaxeta está centralizada;
  • abrir o registro e observar se existe vazamento;
  • se houver uma pequena fuga de água, fechar o registro e revisar a vedação antes de simplesmente apertar mais.

Em peças plásticas, o cuidado precisa ser ainda maior. O uso de ferramentas com força excessiva pode danificar os filetes da rosca e inutilizar uma conexão que ainda poderia ser aproveitada.

Quais peças mais sofrem com o excesso de aperto?

Sifões, engates flexíveis, torneiras, registros e válvulas de descarga estão entre os componentes que podem apresentar problemas quando são instalados ou ajustados de maneira inadequada.

Os sifões de PVC, por exemplo, normalmente utilizam anéis de vedação e porcas plásticas. A força excessiva pode deformar a peça ou provocar rachaduras, especialmente quando a ferramenta é utilizada diretamente sobre o plástico.

Nas torneiras, o problema pode aparecer tanto na conexão com a bancada quanto nos engates responsáveis pela entrada de água. Já nos registros e válvulas de descarga, o excesso de força também pode prejudicar componentes internos.

O resultado pode ser justamente o que o morador estava tentando evitar: gotejamento, vazamento e necessidade de trocar a peça.

O que fazer se a conexão continuar pingando?

Se uma conexão recém-instalada começar a apresentar gotas de água, o primeiro passo não deve ser apertá-la repetidamente.

Feche o registro responsável pelo fornecimento de água e desmonte a conexão para verificar se existe algum problema na vedação. Poeira, pequenos resíduos ou uma borracha mal posicionada podem impedir que as superfícies se encaixem corretamente.

Também é importante verificar se a peça apresenta rachaduras ou se a rosca foi danificada durante a instalação.

Depois da limpeza e da correção do encaixe, a conexão pode ser montada novamente. Caso continue vazando, pode ser necessário substituir a borracha, a gaxeta ou até mesmo o componente inteiro.

Fita veda-rosca também exige cuidado

A fita veda-rosca pode ser necessária em determinadas conexões, mas seu uso não significa que quanto mais material for colocado, melhor será a vedação.

A fita deve ser aplicada de maneira uniforme e no sentido correto da rosca. O excesso pode dificultar o encaixe ou até provocar problemas durante a montagem.

Também é importante saber que nem toda conexão precisa de fita. Peças que utilizam gaxetas, anéis de vedação ou outros sistemas específicos podem depender justamente do contato entre esses componentes para impedir a passagem da água.

Por isso, antes de acrescentar várias camadas de fita, vale verificar qual sistema de vedação foi projetado para aquela peça.

Como evitar problemas em pequenos reparos hidráulicos?

O principal cuidado é não tratar todas as conexões da mesma maneira. Materiais diferentes possuem resistências diferentes e sistemas de vedação próprios.

Peças plásticas, por exemplo, podem ser danificadas com muito mais facilidade quando submetidas a ferramentas ou força excessiva. Já determinadas conexões metálicas podem exigir procedimentos específicos de instalação.

Ler as instruções do fabricante antes da montagem também ajuda a evitar erros, principalmente quando se trata de componentes que possuem sistemas próprios de vedação.

Outro ponto importante é observar o estado das borrachas. Uma gaxeta ressecada ou deformada pode continuar causando vazamento mesmo depois de a conexão ser apertada corretamente.

Quando o problema persiste ou envolve uma instalação mais complexa, a alternativa mais segura é procurar um profissional especializado em encanamento.

No fim, o excesso de força pode ser tão prejudicial quanto uma conexão frouxa. Em muitos pequenos reparos domésticos, o segredo não está em apertar o máximo possível, mas em encontrar o ponto correto de ajuste para que a vedação consiga fazer seu trabalho.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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