Dinheiro vivo está ficando para trás no Brasil e um grupo ainda resiste ao avanço do Pix

O Pix mudou a forma como os brasileiros pagam no dia a dia, e 61% afirmam ter reduzido ou abandonado o uso de dinheiro em espécie.

O dinheiro em espécie perdeu espaço rapidamente no Brasil desde a chegada do Pix. Uma pesquisa mostra que 61% dos brasileiros reduziram ou abandonaram o uso de cédulas depois da popularização do sistema de pagamentos instantâneos.

O levantamento mostra uma transformação importante nos hábitos financeiros da população. Transferir dinheiro pelo celular, pagar uma compra por QR Code ou enviar valores instantaneamente passou a fazer parte da rotina de milhões de pessoas.

LEIA TAMBÉM:

Pix avança, mas adesão muda conforme a idade

Apesar da forte presença do sistema, a utilização do Pix não acontece da mesma maneira entre todas as faixas etárias.

Entre pessoas de 35 a 44 anos, a adesão chega a 90%. Na faixa de 45 a 59 anos, o índice fica em 81%.

Já entre brasileiros com 60 anos ou mais, apenas 48% utilizam o Pix, segundo a pesquisa.

A diferença ajuda a explicar por que as cédulas ainda continuam presentes na rotina de parte da população, especialmente entre consumidores que têm maior dificuldade para utilizar ferramentas digitais.

Medo de golpes pesa entre os idosos

Um dos principais obstáculos para a adoção das ferramentas digitais é a preocupação com segurança.

Golpes envolvendo transferências, contas falsas, engenharia social e manipulação de vítimas fizeram com que parte dos consumidores mantenha preferência por formas tradicionais de pagamento.

O receio não é totalmente infundado. Dados recentes mostram que as tentativas de golpes envolvendo dados pessoais e financeiros continuam atingindo milhões de brasileiros, inclusive por meio de aplicativos de mensagens e outros canais digitais.

No caso do Pix, o próprio avanço das fraudes levou o sistema financeiro a adotar mecanismos adicionais de proteção e devolução de valores em determinadas situações.

Dinheiro em papel ainda não desapareceu

Apesar da redução no uso das cédulas, os dados não significam que o dinheiro físico esteja prestes a deixar de existir no Brasil.

A pesquisa aponta uma mudança de comportamento dos consumidores, e não o fim oficial do dinheiro em espécie.

O Pix passou a ocupar uma parcela cada vez maior dos pagamentos cotidianos, mas as cédulas continuam sendo utilizadas por pessoas que preferem esse meio, têm dificuldades com tecnologia ou realizam transações em locais onde pagamentos digitais não são tão acessíveis.

Transformação deve continuar nos próximos anos

A tendência é que os pagamentos digitais continuem ganhando espaço à medida que smartphones e serviços bancários se tornam mais presentes na vida dos brasileiros.

O Pix entrou em operação em novembro de 2020 e, em poucos anos, tornou-se uma das principais formas de transferência e pagamento utilizadas no país.

A mudança, entretanto, não ocorre de maneira uniforme. Enquanto parte da população praticamente abandonou as cédulas, outro grupo ainda prefere carregar dinheiro no bolso.

Para os idosos, a segurança e a facilidade de uso continuam sendo fatores importantes. Por isso, mesmo com o avanço acelerado do Pix, o dinheiro físico ainda deve permanecer presente na rotina dos brasileiros por bastante tempo.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
MATÉRIAS RELACIONADAS

MAIS LIDAS