A Petrobras está avançando em novas fronteiras de exploração de petróleo e gás enquanto o Brasil registra níveis elevados de produção. A presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou que a estatal pretende continuar buscando novas oportunidades e citou diretamente a Bacia de Pelotas, no litoral do Rio Grande do Sul.
A declaração foi feita durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro, em meio à apresentação das estratégias da companhia para os próximos anos.
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O movimento ocorre em um momento de forte produção nacional. Em julho de 2026, o Brasil produziu 5,851 milhões de barris de óleo equivalente por dia, somando petróleo e gás natural, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Do total, foram produzidos 4,498 milhões de barris de petróleo por dia. O pré-sal respondeu por 4,821 milhões de boe/d, equivalente a 82,4% da produção brasileira.
Petrobras olha para novas fronteiras de exploração
A estratégia da Petrobras não está concentrada apenas nos campos que já estão produzindo.
Durante o evento, Magda Chambriard afirmou que a companhia está ampliando suas fronteiras petrolíferas e citou três movimentos: a Margem Equatorial, a Bacia de Pelotas e operações internacionais.
No caso da Bacia de Pelotas, a presidente afirmou que a Petrobras está avançando na região, mas não apresentou detalhes sobre quais operações ou próximos passos serão realizados.
Isso é importante porque a região ainda está em uma fase de investigação. Estudos sísmicos são utilizados para identificar estruturas geológicas que possam apresentar potencial para petróleo e gás antes de uma eventual perfuração exploratória.
Portanto, a declaração da presidente não significa que uma nova reserva de petróleo tenha sido descoberta na Bacia de Pelotas.
Bacia de Pelotas chama atenção no Rio Grande do Sul
A Bacia de Pelotas se estende pelo litoral do Rio Grande do Sul e também possui áreas relacionadas ao território marítimo uruguaio.
No lado brasileiro, estudos sísmicos estão sendo realizados para avaliar o potencial geológico da região. O objetivo é obter informações que possam indicar a existência de estruturas capazes de armazenar hidrocarbonetos.
A pesquisa, porém, não equivale a uma descoberta comercial.
Essa diferença é importante porque existe uma sequência de etapas entre a identificação de uma estrutura geológica e uma eventual produção de petróleo: estudos, aquisição e interpretação de dados, perfuração exploratória, avaliação da descoberta e, posteriormente, análise de viabilidade econômica.
Colômbia já tem nova descoberta de gás confirmada
Enquanto novas fronteiras são estudadas, a Petrobras já confirmou uma descoberta de gás natural na Colômbia.
O achado ocorreu no poço exploratório Sandia-1, localizado no bloco GUA-OFF-0, em águas profundas.
Segundo a Petrobras, o poço fica a aproximadamente 42 quilômetros da costa colombiana, em uma área com lâmina d’água de 1.251 metros. A perfuração começou em junho e chegou à profundidade final em 29 de julho de 2026.
A companhia informou que os intervalos onde foi identificada presença de gás ainda estão sendo avaliados por meio de perfis de poço e análises laboratoriais.
A Petrobras opera o consórcio com participação de 44,44%, enquanto a Ecopetrol possui 55,56%.
Petrobras busca repor reservas para os próximos anos
A exploração de novas áreas faz parte de uma estratégia de reposição de reservas.
A lógica é ampliar o número de oportunidades capazes de sustentar a produção futura à medida que campos atualmente em operação avançam em seu ciclo produtivo.
A Petrobras afirmou que sua atuação em novas fronteiras e parcerias internacionais está relacionada à recomposição das reservas de petróleo e gás e ao atendimento da demanda energética durante a transição energética.
Nesse cenário, a companhia mantém simultaneamente projetos em áreas já conhecidas e pesquisas em regiões que ainda estão sendo avaliadas.
Campos maduros continuam no planejamento
A expansão para novas fronteiras não significa abandonar os campos maduros.
Magda Chambriard afirmou que a Petrobras continuará investindo em tecnologias para prolongar a produção desses ativos. Entre as alternativas mencionadas está a robotização das operações.
A estratégia busca aumentar a eficiência e ampliar a vida produtiva de campos que já estão em operação, enquanto novas áreas são estudadas para sustentar a produção futura.
Produção brasileira chega a 5,851 milhões de boe por dia
Os movimentos ocorrem enquanto a produção brasileira permanece em patamar elevado.
Segundo a ANP, o país produziu 5,851 milhões de barris de óleo equivalente por dia em julho de 2026, considerando petróleo e gás natural.
A produção de petróleo cresceu 13,6% em relação a julho de 2025, chegando a 4,498 milhões de barris por dia.
O pré-sal respondeu por 82,4% da produção total de petróleo e gás do país no mês.
Os números também mostram o peso da Petrobras no setor. Campos operados pela companhia, sozinha ou em consórcio, responderam por 87,27% da produção brasileira naquele mês.
Petrobras também avalia aumentar produção de diesel
Além da exploração de petróleo e gás, a companhia estuda ampliar a produção nacional de diesel.
A possibilidade deve ser analisada no Plano de Negócios 2027-2031. A presidente da Petrobras afirmou que a empresa avalia investimentos para buscar maior autossuficiência brasileira na produção do combustível.
A proposta ainda depende da definição do próximo plano de negócios e, portanto, não significa que todos os investimentos já tenham sido aprovados.
O que pode acontecer daqui para frente
O próximo passo será transformar as áreas de exploração em informações mais concretas sobre seu potencial.
Na Bacia de Pelotas, por exemplo, ainda é necessário avançar nos estudos antes de qualquer conclusão sobre eventual presença de petróleo ou gás com potencial comercial.
Na Colômbia, a situação é diferente: a Petrobras já confirmou a presença de gás no poço Sandia-1, mas os volumes e características da descoberta ainda estão sendo avaliados.
Assim, a estratégia anunciada pela Petrobras combina novas fronteiras, descobertas internacionais, campos maduros e expansão da produção de derivados.
Para o Brasil, o ponto central é que a produção atual permanece concentrada principalmente no pré-sal, enquanto a Petrobras procura novas áreas capazes de complementar as reservas e sustentar a produção nas próximas décadas.

