O desfecho do júri do caso Henry Borel chamou atenção de todo o país na madrugada desta quinta-feira (4). Após 11 dias de julgamento no Rio de Janeiro, uma decisão considerada incomum pela população acabou gerando debates nas redes sociais e entre especialistas em Direito.
Muitas pessoas ficaram surpresas ao descobrir que, mesmo após o reconhecimento de sua responsabilidade por crimes relacionados ao caso, Monique Medeiros não deverá cumprir uma nova pena. A medida foi determinada durante a leitura da sentença pela juíza responsável pelo julgamento.
LEIA TAMBÉM:
- Maior rede de farmácias do Sul com mais de 20 mil funcionários toma decisão e começa a abandonar a escala 6×1
- Famosa marca de água mineral tem venda suspensa pela Anvisa após ser encontrada mesma bactéria que contaminou detergentes Ypê
- Luciano Hang afirma que vai “fazer a boa” com até R$ 5 mil para quem quiser largar o Bolsa Família
O caso Henry Borel se tornou um dos mais acompanhados da história recente do Brasil. Desde a morte do menino, em março de 2021, o processo mobilizou autoridades, juristas e a opinião pública, acompanhando cada nova etapa da investigação e do julgamento.
No encerramento do júri do caso Henry Borel, o Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade de Monique Medeiros por tortura por omissão e desclassificou a acusação de homicídio doloso para homicídio culposo. Apesar disso, a magistrada concedeu o chamado perdão judicial.
O que é o perdão judicial?
O perdão judicial é um mecanismo previsto no Código Penal brasileiro que permite ao juiz deixar de aplicar uma pena mesmo quando o crime e a responsabilidade do acusado são reconhecidos.
Diferentemente da absolvição, o benefício não apaga a condenação. O que acontece é que o Estado entende que as consequências já sofridas pelo acusado são suficientemente graves para dispensar uma nova punição.
Por esse motivo, a sentença continua reconhecendo a prática da infração penal, mas sem gerar a execução da pena determinada.
Por que Monique Medeiros recebeu o benefício?
Ao justificar a decisão, a juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que Monique já enfrentou consequências extremamente severas ao longo dos últimos anos.
Entre os fatores considerados pela magistrada estão a perda do único filho, a enorme exposição pública do caso, as agressões que ela teria sofrido durante o período em que esteve presa e a intensa repercussão nacional do processo.
Segundo a juíza, o conjunto desses acontecimentos produziu impactos pessoais e sociais que ultrapassariam os objetivos normalmente buscados por uma condenação criminal.
O que muda após o julgamento?
Apesar do perdão judicial, a responsabilização penal continua registrada no processo.
O Conselho de Sentença afastou a acusação de homicídio doloso e reconheceu o homicídio culposo. Além disso, houve entendimento de que Monique praticou tortura por omissão ao deixar de agir para impedir as agressões sofridas por Henry.
No entanto, a pena fixada não resultará em um novo período de prisão. Isso porque o tempo que ela já permaneceu presa preventivamente foi considerado suficiente para o cumprimento da sanção estabelecida pela Justiça.
Caso ainda pode ter novos desdobramentos
Embora o júri Henry Borel tenha chegado ao fim em primeira instância, o processo ainda pode gerar novos capítulos.
O Ministério Público e a assistência de acusação podem recorrer contra pontos da decisão, incluindo a desclassificação do homicídio doloso e a concessão do perdão judicial.
Da mesma forma, a defesa também poderá contestar aspectos remanescentes da condenação. Caso existam recursos, o processo seguirá para análise do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

