Justiça autoriza mediação na recuperação judicial da Apex, que tem dívida de R$ 985 milhões

Justiça autoriza mediação na recuperação judicial da Apex Partners, fixa prazos contábeis e confirma a saída de 38 sociedades do processo.

A Justiça do Espírito Santo autorizou a abertura de uma mediação entre a Apex Partners, seus investidores e credores para tentar avançar na solução da crise financeira do grupo. A decisão, assinada em 20 de outubro de 2026, também estabeleceu prazos para a apresentação de documentos contábeis e definiu condições para a continuidade de empreendimentos imobiliários vinculados à companhia.

O pedido de recuperação judicial envolve uma dívida estimada em aproximadamente R$ 985,6 milhões. A medida busca organizar a negociação entre as partes enquanto a Justiça analisa a documentação necessária para decidir sobre o processamento definitivo da recuperação.

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O juiz Carlos Magno Moulin Lima, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, determinou que os envolvidos indiquem, em até dez dias, um mediador ou uma câmara especializada. A negociação ocorrerá paralelamente ao andamento do processo judicial, sem interromper a análise das informações exigidas.

Como vai funcionar a mediação da Apex Partners?

A mediação deverá reunir representantes da Apex, credores, investidores e outros interessados para discutir possíveis soluções para a crise. Entre os temas previstos estão conflitos de governança, renegociação de garantias com instituições financeiras e a continuidade de projetos imobiliários.

A iniciativa foi defendida por diferentes envolvidos no processo, incluindo o fundador e ex-presidente da companhia, Fernando Cinelli. A Apex também se mostrou favorável à medida, desde que as conversas não atrasem a análise judicial do pedido de recuperação.

A empresa terá prazo para indicar representantes com poderes para negociar. A primeira sessão preparatória deverá ocorrer em até 30 dias, conforme o cronograma divulgado para a decisão.

A mediação não significa que já exista um acordo sobre as dívidas nem garante que todos os investidores receberão integralmente os valores aplicados. O objetivo é criar condições para que as partes negociem alternativas com acompanhamento e regras definidas pela Justiça.

Justiça confirma saída de 38 sociedades do processo

Outro ponto da decisão envolve a redução do número de empresas incluídas no pedido de recuperação judicial. A Justiça homologou a desistência de 38 sociedades que haviam solicitado sair do processo.

Além disso, uma empresa ligada ao grupo, a BRM Apex Inv RE Pedra Azul Participações, foi excluída por não cumprir o requisito legal de pelo menos dois anos de atividade para solicitar recuperação judicial.

Já o pedido de saída da BRM Apex Inv RE Vessel Participações teve a análise adiada por 15 dias. O juiz solicitou informações adicionais sobre movimentações financeiras entre empresas do grupo antes de decidir sobre o caso.

A saída de uma sociedade do processo não significa que suas dívidas foram perdoadas. Os efeitos jurídicos dependem da situação de cada empresa e das determinações judiciais aplicáveis.

Quais documentos a Apex precisa apresentar?

A Justiça estabeleceu um cronograma para que a companhia complemente os registros financeiros e contábeis. A documentação é necessária para avaliar a situação das empresas envolvidas e verificar se estão presentes os requisitos para o processamento da recuperação judicial.

Os prazos variam conforme o tipo de informação solicitada. Documentos essenciais deverão ser entregues progressivamente, em prazos de até 30 dias, enquanto materiais complementares relacionados ao trabalho contábil terão prazo de até 60 dias.

A empresa havia solicitado 90 dias para reprocessar a escrituração contábil de 147 sociedades. A decisão permitiu que esse trabalho técnico continue dentro do prazo previsto, sem dispensar a entrega dos documentos básicos necessários à análise judicial.

A ausência de informações contábeis completas é um dos pontos centrais do processo, pois dificulta a avaliação do patrimônio, das obrigações financeiras e das relações entre as empresas do grupo.

Obras e empreendimentos imobiliários poderão continuar?

A decisão também estabeleceu condições para preservar os empreendimentos imobiliários ligados à área de Real Estate da Apex. Atividades como obras, locações, manutenção, pagamento de tributos e seguros poderão continuar nos termos autorizados pela Justiça.

Os projetos deverão manter contas bancárias e registros contábeis separados, de modo que os recursos de cada empreendimento permaneçam vinculados à respectiva operação. A decisão também permite repasses aos investidores correspondentes a resultados já apurados e devidos, conforme os contratos.

O objetivo é manter as atividades necessárias à preservação dos empreendimentos sem misturar recursos de projetos diferentes.

O juiz também ressaltou a separação patrimonial dos fundos de investimento em relação às dívidas das empresas do grupo. Essa distinção é importante porque os recursos de um fundo não se confundem automaticamente com o patrimônio da gestora ou de outras empresas envolvidas na recuperação.

O que aconteceu com a Apex Partners?

A crise da companhia veio a público em agosto de 2026, após a identificação de inconsistências financeiras e o afastamento de Fernando Cinelli da presidência do grupo.

A Apex afirma ter identificado transferências superiores a R$ 23 milhões sem lastro para contas vinculadas ao ex-presidente. Essas alegações fazem parte do contexto de disputas e medidas judiciais relacionadas à crise e não devem ser confundidas com uma conclusão definitiva sobre responsabilidade individual.

A empresa também atribui à gestão anterior problemas na organização contábil e afirma trabalhar para reconstruir as demonstrações financeiras. Cinelli, por sua vez, questiona aspectos do pedido de recuperação, incluindo a documentação apresentada e questões de governança, e defende uma solução negociada.

A mediação abre um espaço formal para diálogo entre os envolvidos, mas não encerra as divergências nem substitui a apuração dos fatos.

A recuperação judicial da Apex já foi aprovada?

Não. A autorização para iniciar a mediação e a definição de prazos não equivalem ao deferimento definitivo do processamento da recuperação judicial.

A Justiça ainda precisa analisar os documentos complementares e as manifestações técnicas previstas no processo antes de decidir sobre o pedido. Enquanto isso, as empresas que permanecem abrangidas pelas medidas judiciais seguem sujeitas às condições e restrições determinadas pelo magistrado.

A evolução do caso dependerá da qualidade das informações apresentadas, das conclusões técnicas e da possibilidade de construir acordos entre a empresa, os credores e os investidores.

A decisão representa uma nova etapa na tentativa de organizar a crise da Apex Partners, mas o resultado final ainda depende da análise judicial e das negociações em andamento.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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